30.12.20

perspectivas

Finalmente, o dia D chegou! Eis que na noite de hoje, o Grêmio jogará a sua última partida de futebol no ano de 2020. Um ano, de fato, muito difícil para todos. Inclusive para o próprio Grêmio, que apesar dos insucessos, leva pequena vantagem no front, e tentará pela nona vez, chegar a uma final de Copa do Brasil. E isso não é pouco. 

O adversário desta noite, por exemplo, é o único dos clubes paulistas que não possui em seu vasto currículo tal título. Chegou apenas a uma final, em 2000, isso tem 20 anos. Se houve outra, por favor me corrijam, pois só lembro desta. Vejam só: até o Paulista de Jundiaí já ganhou. Logo, de antemão e, isso não é uma forma de se auto imunizar, caso o Grêmio não obtenha êxito na partida de logo mais, não será o fim do mundo, desde que em campo seja depositado todo esforço possível.

Falo isso, em tom de perspectiva. Porque foi neste ano atípico e que, de certa forma, vai ser um divisor de águas da nossa própria existência, que eu mais debati sobre o Grêmio. Um ano que muito me estressei devido a isso. É verdade que eu procurei por isto. E quem convive nesse no meio sabe que há diversos tipos de pensamentos. Dos mais otimistas até os mais pessimistas. E isso gera conflito, brigas, discussões infindáveis. Não quero mais isso para mim.

Particularmente para mim foi um ano bem complicado. Tive que devolver o apartamento que residia e hoje (junto de minha senhora) moro de favor na casa da minha mãe. Fiquei sem trabalhar durante oito meses, e voltei há seis em meio turno, devido a sequelas da cirurgia passada. Tal coisa será resolvida com outra cirurgia, que farei dia 7, do próximo mês. Diante do exposto, preciso me abster de qualquer pensamento negativo, bem como daqueles super otimistas porque eu sei que o mundo não é perfeito. 

Hoje quero apenas assistir mais um jogo do Grêmio. Como é bom poder dizer isso. Muitos não podem sequer respirar direito neste momento, entrelaçados em tubos, sedados dentro de uma u.t.i.. De quebra este será o último escrito deste ano. Independente do resultado de logo mais.

Que podemos querer mais que isso?

Agradeço. Apenas isso, por mais este ano. E agradeço pelo próximo que virá. Aos convivas, não desejo nada. Apenas, outra vez, agradeço por tê-los ainda por perto.

27.12.20

"num bochincho, certa feita..."

Tem um jogo hoje a noite. É verdade, mas não é a ele que retrato este post. Este espaço, entre o Natal e o Ano Novo é curioso. São poucos dias que parecem ser uma eternidade. Talvez em virtude da comilança, bebedeira de todos os dias. Visitas de parentes distantes... Tudo isso, quiçá aumenta essa sensação. A ansiedade se eleva e, para dar mais tensão ao cenário um jogo de um grau de importância inestimado no meio do caminho. E nem é uma final.

A porvoadeira do jogo passado ainda não baixou. Pelo contrário. Aumentou depois de um assunto levantado em blogs, grupos de whats app, rádios... Sobre o clube paulista, nosso adversário de quarta-feira, que até então não teve nenhum jogador expulso durante todo o campeonato de pontos morridos. Tal assunto é discutido porque os jogadores do clube paulista descem a madeira sem piedade em seus adversários, que antes disso, são colegas de profissão. 

O Grêmio sabe disso. Jayme Caetano Braun, gremista de fibra bem conhecida, já dizia: "senti o calor do aço e o calor do aço arde". 

Quarta-feira temos que chegar de curioso, neste baile de gente que não é direita! Vai ser um ambiente fumacento, não será na primavera, mas no quente do verão! O Grêmio precisa ser louco por este fandango! Louco por esta china, que nem um pinto por quirera! 

Dar de mão nessa tiangaça, que já se ofereceu por tantas vezes e que já é bem conhecida. Não deixar nem sombra nem cheiro pro santo, que de santo não tem nada. Que vai vir de cotovelada, joelhada e até de adaga se for preciso. 

E diante disso, teremos de soltar o marca touro. Cortar do beiço a orelha o santo. De deixar relampiando o osso! 

Tenho visto coisa feia, tenho visto judiaria, mas não será desta vez que a casa bandida, por mais dona que seja desse bochincho levará a melhor! 



3.12.20

a campanha

Assisti a última coletiva do Renato. Após se tornar o treinador com o maior número de jogos disputados, mais uma vez, faz história o treinador. Na coletiva, lembrou dos críticos do seu trabalho. Disse ele que sumiram, após os recentes bons resultados que aí estão. Verdade. Nos blogues que tratam do assunto, realmente, sumiram todas as críticas. O mês de novembro, foi de fato, um novembro azul.

Recordo que uma das últimas postagens que fiz em outubro, tinha como título: "um dia para esquecer". Tratou sobre o empate do Grêmio, contra o América de Cali em Porto Alegre. Era uma noite para ser esquecida, mas pelo jeito não foi e nem será. Por um fio não deixamos escapar a primeira posição da chave; porém, mesmo vencendo aquele jogo o Grêmio alcançaria treze pontos, e não mudaria o quadro atual da fase final. 

Trago à tona este assunto, porque na fase dos mata-matas da L.A. a classificação geral da fase de grupos é o fator que determina os mandos de campo na segunda fase. Acredito que boa parte da torcida tem a preferência de jogar a segunda partida em casa; mas se não for possível, isso não é o fim do mundo, e esta temporada que o diga. Confirmando a vaga às quartas, nesta noite, o Grêmio jogará a primeira partida na Arena e a segunda na Vila Belmiro. E, passando pelo Santos, independente de quem for o adversário das semifinais, o Grêmio só decidirá na Arena caso o nosso maior rival se classifique. O que ficou mais difícil para eles, depois da derrota de ontem.

Aí a questão: o Grêmio poderia e teria a obrigação de ter feito melhor campanha na fase de grupos, de garantir o primeiro lugar da chave com um número maior de pontos, levando em consideração que nela foram jogados dois clássicos, para poder decidir sempre na Arena os mata-matas? 

Alguns acreditam que sim. Porém, por mais crítico que eu já tenha sido aqui e, em outros espaços, não acredito nisso. Perdemos a segunda partida para a Católica em Apoquindo. Lembro que o Grêmio fez uma péssima partida no Chile; mereceu a derrota. Procurei algo por aqui, mas não relatei nada sobre o jogo. Teria culpa o Renato sobre essa barrocada? Lembro que ele tomou um nó do treinador da Católica, mas  analisando de forma fria, considerando o que havia em campo naquela noite, e o que havia a disposição no banco. Outro fator foi a saída precoce de Geromel, ainda no primeiro tempo da partida. 

Quanto aos clássicos, o empate no primeiro jogo pelo "tamanho" da partida não foi o pior resultado. Mas vencemos o jogo da volta. Se os resultados se invertessem (apenas o fator local), também não seriam vistos com maus olhos. 

Acredito que a campanha na fase de grupos não foi horrorosa, como parece que foi. Não foi boa. Foi razoável e aceitável porque cumpriu com a obrigação de se classificar. Esta sim, para mim, a única obrigatoriedade que existe para um clube do tamanho do Grêmio dentro de uma Libertadores.

26.11.20

jamais nos matarão 26.11.2005

Havia um trabalho de faculdade para ser feito que foi marcado para aquela tarde, naquele dia 26. Era um sábado e, por ser um trabalho em grupo, não poderia ser remarcado. Porém, no mesmo dia seria jogado o quadrangular final da Série B de 2005. 

Se não me falha a memória até o momento, eu havia frequentado muito pouco a casa do Tiago, um dos colegas de turma. O detalhe que ele, como toda a sua família é colorado. Os outros dois colegas eram gremistas, o Gustavo e o João. A previsão era de que em duas horas o trabalho fosse elaborado, mas entre Coca-Cola, teclado e Elma Chips a coisa postergou e logo o jogo do Grêmio começaria. Combinamos então, de ver a partida ali mesmo. Num reduto de colorados. A sala era ampla, havia lugares para todos. Mas eu ainda estava desconfortável. Até ali, os meus amigos e colegas de faculdade não tinham noção do meu fanatismo. Menos mal que no decorrer da partida vi que os outros dois gremistas eram tão loucos quanto eu. 

Não consigo lembrar com exatidão, mas o seu Ramão, pai do Tiago, não estava na sala. Coloradíssimo, lá de Itaquí, ele não quis ver a partida. Ao menos eu pensei isso. Mas a sua filha Rafa, estava junto do irmão na secação. Mas na hora do primeiro pênalti a favor do Náutico, ele apareceu no canto da porta para dar uma secada.  Nessa altura o meu descontrole emocional já tomava conta. Palavrões saltavam da minha boca em direção a TV, eu pouco me importava do lugar onde estava. E no momento que a bola explodiu na trave foi um gritedo ensurdecedor. O anfitrião e secador desapareceu do local. Gente muito boa, o seu Ramão. 

O jogo seguiu, encardido. O Grêmio já jogava com um a menos, faltavam poucos minutos para o final da partida. Com o empate o Grêmio voltaria para a Série A, mas perdendo permaneceria na B, pois no outro jogo o Santa Cruz fazia o dever de casa. Eis que então o lance que mudou a história daquele jogo. Outro pênalti em favor do Náutico. Deus do céu. O peitaço de Patrício desencadeou uma revolução campal. Desta vez não era apenas eu o descontrolado, mas João e Gustavo também xingavam sem parar a televisão, como se aquela tivesse alguma culpa. Foram outras 3 expulsões. Haviam 7 em campo. Mas sem dúvida (pois me contaram depois, que a mãe do Tiago queria saber de onde raios veio aquele guri que não parava de xingar, gritar) era eu o mais alucinado. Eu brigava. O seu Ramão apareceu novamente e começou a tirar sarro. Eu estava louco, espumava. E o homem dava risada e aquilo me deixava mais cego de raiva. Eu, sinceramente não sei o que dizia. Mas lembro perfeitamente que eu dizia para que não deixassem bater o pênalti, tamanho era o meu desespero. Mas não havia jeito, eu sabia. Restou apenas, rezar. Quando Ademar partiu para a batida, chutando para a esquerda de Galatto e, quando o goleiro pegou o penal com a perna direita... Jesus. A histeria tomou conta de uma forma. Eu nunca na vida me senti daquele jeito. Saímos porta a fora gritando, berrando, xingando. Caímos abraçados pela garagem. Foi surreal. Parecia um sonho ruim, que do nada ficou bom. Poucos tempo depois disso, ao voltarmos em êxtase para a sala, (o seu Ramão sumiu de novo) um jogador do Náutico havia sido expulso. "Tá expulso o Batata!". Na cobrança rápida, Anderson recebeu a bola e aí, todos já sabem. O mundo inteiro soube. Bom. Na hora do gol, eu já não sabia mais de nada. Nem onde estava. Mas não parecia estar na Terra. Lembro que saímos da casa do Tiago, não lembro se ele veio junto. O João tinha um Fusca. Embarcamos rumo a carreata. O Grêmio ali conquistou a Série B de forma heroica, com 7 jogadores em campo (apesar de que, hoje, num contexto mais amplo e filosófico tudo isso possa ser resumido a fiasco na opinião de muitos gremistas, inclusive).

Há zar! Deixo aqui um vídeo daquele dia que com certeza foi um divisor de águas na história do Grêmio. Um jogo que para sempre será lembrado, pelos prós e contras. Para que o ocorrido também não se repita. Um jogo que serve de lição para qualquer tipo de torcedor. O jogo só acaba quando termina.

20.11.20

marketing é a alma do negócio

Nos tempos de faculdade, tive uma cadeira chamada Marketing. Gostei muito desta matéria porque o professor sabia do que falava. Não recordo o nome dele. Uma pena. E ontem o marketing do Grêmio deu uma acertada que há tempos não se via.
 
A linha IMOR7AL faz referência ao ídolo mor da torcida, e o departamento do clube pegou o gancho da boa fase que o clube vive e decidiu apostar nas frases icônicas do Renato. Aquelas que estamos acostumados a ouvir nas coletivas. Deu certo, parece que lavaram a égua vendendo camisetas; bom para o clube que enche seus cofres.
 
Reparei na camiseta. Achei muito criativa e engraçada. Diz na camiseta "Eu confio no meu grupo", numa outra, "É aquilo que eu sempre digo pra vocês". Realmente, eu gostei. É válido e muito oportuno.
 
Mas tudo isso também gerou piada. E isso é válido também. Existem vários tipos de humor. Há outras frases que poderiam ser utilizadas nas camisetas e eu acredito que venderia, do mesmo modo. "O Grêmio deu mole", "o Grêmio vai decolar". É uma infinidade de frases.
 
No mais, parabéns pela ideia. O marketing é a alma do negócio!